
Entre uma antiga fazenda, a fé de um povo e o nascimento de uma comunidade, começava a ser escrita uma história que atravessaria três séculos.
Muito antes de Bonfim completar 166 anos, antes mesmo de existir uma cidade com esse nome, estas terras já guardavam histórias.
No início do século XVIII, às margens do Ribeirão Águas Claras, a Fazenda Palestina tornou-se um dos primeiros pontos de ocupação da região. Ali, entre plantações, criação de animais, caminhos de terra e o trabalho de muitas pessoas, começava a surgir uma comunidade.
A tradição preservada ao longo das gerações conta que, em uma Sexta-feira da Paixão, um episódio marcante teria levado o proprietário da fazenda a fazer uma promessa: erguer uma ermida dedicada ao Senhor Bom Jesus do Bonfim.
De Portugal teria vindo a imagem que se tornaria símbolo da fé daquele pequeno povoado.
Ao redor dessa devoção, casas foram surgindo. Famílias chegaram. Caminhos se encontraram. O pequeno núcleo cresceu e ficou conhecido como Rocinha.
Mas Bonfim não nasceu da riqueza do ouro.
Enquanto outras localidades mineiras prosperavam com a mineração, estas terras ajudavam a alimentar Minas. Da lavoura, da criação e do trabalho de sua gente saía parte do sustento que abastecia as regiões mineradoras.
O tempo passou.
A pequena Rocinha cresceu, atravessou gerações e ganhou identidade própria.
Até que, em 1860, recebeu definitivamente um nome que carregava uma história muito mais antiga:
Bonfim.
Hoje celebramos 166 anos.
Mas a verdadeira história de Bonfim começou muito antes de uma data ser registrada ou de um nome aparecer nos documentos.
Começou quando homens e mulheres fizeram destas terras o seu lar.
Porque uma cidade não nasce no dia em que recebe um nome. Ela nasce quando um povo começa a construir sua história.